Sibutramina – vale o risco para emagrecer?

Perder peso rapidamente, mas sem fazer muito esforço físico ou dieta é o sonho de muitas pessoas que com frequência recorrem ao remédio para emagrecer da moda para atingirem o peso ideal. No entanto, é preciso ter cuidado e não se automedicar, pois remédios sempre podem provocar efeitos colaterais, além de não serem indicados para pessoas que sofrem de determinadas doenças.

 

Um dos remédios que promete o emagrecimento rápido é a sibutramina. Ele foi aprovado pela FDA (Food And Drug Administration, órgão dos Estados Unidos responsável pelo controle dos medicamentos) em novembro de 1997, e atua na diminuição do apetite, fazendo com que o paciente se sinta saciado com menos comida.

A subtramina age sobre dois neurotransmissores: a serotonina e a noradrenalina. Ambos ajudam a elevar a saciedade ao inibir a reabsorção de substâncias que controlam a sensação de fome e a vontade de comer.

Na verdade a sibutramina surgiu como um antidepressivo. Foi constatado que a diminuição do apetite era um efeito colateral do antidepressivo que estava sendo testado e o remédio passou a ser usado como emagrecedor. Só que a sibutramina não é um realmente um inibidor. O que a substância faz no cérebro é estimular a saciedade. Ou seja, quem toma fica satisfeito comendo menos.

Apesar de ajudar na redução da ingestão de alimentos, o remédio para emagrecer não deve atuar sozinho. O recomendável é que a pessoa que deseja perder peso faça uma dieta que privilegie a redução de calorias. Exercícios físicos também são recomendados. 

Mas, o remédio é indicado para qualquer pessoa? Não, para tomar a sibutramina o paciente deve ter índice de massa corporal maior ou igual a 27 kg ou maior ou igual a 30 kg. Pessoas que apresentem fatores de risco associados à obesidade, como diabetes, por exemplo, também podem fazer a ingestão do medicamento.

Mas, a sibutramina é eficiente? Ela realmente ajuda a emagrecer, a perder peso? Sim, testes clínicos confirmaram a eficácia do remédio quando associado a uma dieta com redução de calorias. Assim sendo, ficou comprovado que pacientes que tomaram 10 miligramas diárias de sibutramina emagreceram em média 4,5 kg em 1 ano, e aqueles que tomaram 15 miligramas perderam em média 6,35 kg no mesmo período. Vale ressaltar, no entanto, que somente o médico é quem pode prescrever a dosagem do medicamento. 

Efeitos colaterais e contraindicações da Sibutramina

Assim como qualquer outro remédio, a sibutramina pode provocar efeitos colaterais em quem toma o remédio. Entre os efeitos mais frequentes estão dor de cabeça, insônia e boca seca. Alguns pacientes podem ter ainda taquicardia, por isso a recomendação para quem toma o remédio é ter a pressão monitorada.

Não vale a pena perder peso correndo risco de saúde, por isso as contraindicações também devem ser levadas em conta. A sibutramina, por exemplo, é contraindicada para pessoas que sofrem com pressão alta sem controle, ou que já tenham histórico de doença cardíaca, arritmia cardíaca ou histórico de AVC. O risco, portanto, aumenta entre pessoas que já têm alto risco de doenças cardiovasculares, como enfarte e derrame. Por isso, é importante também ler a bula da sibutramina para identificar possíveis efeitos colaterais, e relatar ao médico se houve qualquer problema com a medicação.

Por causa dos efeitos colaterais e das contraindicações, vale sempre a pena ressaltar que não se deve tomar qualquer medicamento, nem mesmo a sibutramina, sem orientação médica. E que mudar o estilo de vida, iniciando ou elevando o nível de atividade física e mudando a alimentação, é uma ótima opção para quem deseja perder peso. Isto porque com a mudança de hábitos será mais fácil, posteriormente, manter o peso que foi perdido, já que uma hora ou outra a sibutramina não será mais recomendada ao paciente. 

Um estudo chamado Sibutramine Cardiovascular Outcomes (SCOUT) trouxe resultados alarmantes. Após seis anos de uso continuado, a sibutramina aumentava em 16% as chances de enfarte e AVC em pacientes com histórico de doenças cardiovasculares. A European Medicine Agency (EMA) proibiu a venda de remédios com a substância nos países da União Europeia. Já nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA) exigiu uma mudança na bula, alertando que hipertensos e cardiopatas não deveriam tomar a sibutramina. A substância também é contraindicada para pacientes com transtornos alimentares, distúrbios psiquiátricos, doenças cardiovasculares, entre outros.

BULA DA SIBUTRAMINA

Sibutramina no Brasil

No Brasil, a sibutramina também é comercializada, no entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) fez algumas restrições quanto à utilização do medicamento depois que a EMEA (Agência Europeia de Medicamentos), divulgou, em 2010, que a sibutramina aumentava o risco de acidentes cardiovasculares. A partir de então a ANVISA mudou a classificação da sibutramina e o remédio deixou a lista C1 (receita branca não numerada) e passou para a lista B2 (psicotrópico anorexígeno). Ou seja, a sibutramina é vendida com tarja preta, o que significa que o remédio somente pode ser vendido mediante prescrição médica e retenção de receita.

Em outubro de 2011, a ANVISA determinou também que as prescrições deveriam ser acompanhadas de um termo de responsabilidade entre o médico e o paciente em três vias: uma cópia seria arquivada no prontuário do paciente, outra ficaria na farmácia e terceira via ficaria com o paciente.

No Brasil, a sibutramina é comercializada em remédios como Reductil, Meridia e Plenty, entre outros.