Todos os efeitos do álcool no organismo

O ato de beber faz parte da cultura de muitas sociedades, estando ligado ao lazer e à sociabilidade. Afinal, não tem nada demais beber com os amigos após um dia estafante de trabalho, convidar os amigos para happy hour em sua casa e oferecer uma cervejinha, ou então sair para uma festa e beber para perder a timidez e ficar mais soltinho. Ou será que tem?

 

O álcool tem venda liberada, a não ser para menores de idade, e pode ser consumido livremente, por isso a maioria das pessoas que bebe não considera o álcool uma droga, diferentemente do que ocorre com as drogas ilícitas, como maconha, cocaína, ecstasy, crack, entre outras, que são vendidas ilegalmente. Ou seja, ao contrário das drogas ilícitas, beber é aceitável socialmente.  E assim, de gole em gole, vai crescendo o número de pessoas que bebe para relaxar e esquecer os problemas, e faz da bebida o seu melhor amigo e até conselheiro, sem se lembrar de que o álcool provoca dependência física e psicológica em quem bebe demais. E que a pessoa pode desenvolver um quadro de alcoolismo, devido ao alto grau de dependência da bebida. 

Beber moderadamente é possível. Mas, muitas pessoas acham que beber até encher a cara os tornará mais populares, mais fácil de serem aceitos no grupo, por exemplo. E, aí, acabam não se dando conta dos efeitos do álcool no organismo, que podem ser muito maléficos se o consumo do álcool for exagerado. Para completar ainda há o risco de dirigir embriagado.

Muitas pessoas que bebem talvez não saibam, mas a ação do álcool no organismo não acontece somente no fígado. Outros efeitos do álcool também são sentidos nos rins, cérebro, coração, estômago e músculos. Por isso, quanto menos álcool no sangue você tiver, melhor será para a sua saúde.

COMO O ÁLCOOL CHEGA AO ORGANISMO

Muitas pessoas gostam de beber antes de comer algo, de forrar o estômago, ou seja, de tomar um aperitivo antes do almoço ou do jantar. Isso é um erro, já que a absorção do álcool é maior se o estômago estiver vazio. Além da falta de alimentação antes de beber, a velocidade com que se bebe também interfere na absorção do álcool pelo organismo. Bebidas destiladas, por exemplo, são mais rapidamente absorvidas pelo organismo (pinga, caipirinha, champanhe doce) do que bebidas fermentadas como cerveja e vinho.

Mas, como o álcool chega ao organismo? As bebidas alcóolicas contêm a molécula de etanol como o seu principal ingrediente. Quando a pessoa toma o primeiro gole, uma pequena parte dessas moléculas já começa a entrar na corrente sanguínea pela mucosa da boca. Depois, a bebida é rapidamente absorvida pelo estômago e duodeno e vai se espalhando pela corrente sanguínea. 

Quando o álcool chega ao fígado, ele começa a ser metabolizado, ou seja, o organismo procura formas para livrar-se dele. No entanto, o álcool não é eliminado de uma só vez, ele terá que passar mais de uma vez pelo fígado para que as moléculas de etanol sejam completamente eliminadas. 

E o mais interessante é que o fígado só metaboliza em média uma dose de bebida alcoólica por hora. Assim, se você tomar sete latas de cerveja, o fígado levará sete horas para metabolizar todo o álcool ingerido. O mesmo vale para a quantidade de vinho, champanhe, caipirinha, whisky e outras bebidas. E o que acontece com o restante da bebida? O resto do álcool fica circulando no sangue até chegar a hora de ser eliminado. Assim, desta forma, ele vai intoxicando o organismo e causando alterações e danos em diferentes órgãos. 

ÓRGÃOS AFETADOS PELO ÁLCOOL

O metabolismo do álcool no organismo varia de pessoa para pessoa. Algumas poderão ficar bêbadas rapidamente, enquanto que outras podem ser mais tolerantes à bebida alcóolica. Aliás, está comprovado que as mulheres são mais suscetíveis ao álcool do que os homens, ou seja, o efeito do álcool na mulher é mais rápido, por isso os danos provocados ao organismo são mais intensos do que nos homens, mesmo que os dois ingiram a mesma quantidade de álcool.  

No entanto, independentemente da quantidade de bebida que será consumida, alguns órgãos serão afetados pelo álcool. Isso ocorre porque assim que o álcool cai na corrente sanguínea, as moléculas de etanol são transportadas para todos os tecidos que têm células com alta concentração de água, como cérebro, coração, fígado e rins.

Assim sendo, confira a seguir o que o excesso de bebida alcoólica faz no nosso organismo e quais são as partes do corpo mais afetadas pelo consumo exagerado do álcool.

  • No cérebro
    Assim que chega ao cérebro, o etanol estimula os neurônios que liberam uma quantidade extra de serotonina, neurotransmissor que regula o prazer, o humor e a ansiedade. Num primeiro momento, o álcool tem o poder de deixar a pessoa desinibida e eufórica. No entanto, se aumenta o consumo de álcool, dois outros neurotransmissores são afetados e, consequentemente, os neurônios trabalham menos, e a pessoa pode chegar a perder a coordenação e o autocontrole.

     

    Nas mulheres, as alterações no cérebro pelo excesso de bebida alcóolica começam a surgir após a primeira dose. Nos homens, o cérebro começa a ser afetado a partir da segunda dose. 

    Quando o álcool chega ao sistema nervoso, surgem os primeiros sintomas como perda de reflexo, problemas de atenção, perda da memória recente, e perda do juízo crítico da realidade. Conforme as doses de álcool forem aumentando, os sintomas mudam e a pessoa passa para o estado de sonolência, anestesia e coma alcóolico, o grau mais elevado e grave de intoxicação por álcool. 

    Quando alguém chega ao estágio de coma alcóolico, é preciso buscar imediatamente por socorro médico, pois a pessoa pode sofrer parada respiratória, e até morrer. 
     

  • Coração 
    Ao ingerir bebidas alcoólicas, o cérebro libera maior quantidade de dopamina, neurotransmissor responsável pela regulação de outras substâncias no organismo, inclusive no sistema cardiovascular. Como consequência pode ocorrer alterações na frequência cardíaca (taquicardia) e na pressão arterial. 
     
  • Sistema hormonal
    Os hormônios também sofrem alteração com a ação do etanol no organismo. No entanto, a alteração, ou seja, os danos físicos pela ingestão de bebida alcóolica são mais perceptíveis em pessoas que já apresentam doenças como diabetes. Neste caso, o abuso do álcool pode levar o diabético mais rapidamente ao quadro de coma alcoólico. 
     
  • Sistema muscular 
    O sistema nervoso central é o responsável por movimentar nossos músculos. Quando o álcool chega ao sistema nervoso central, as mensagens que chegam aos músculos se tornam mais lentas. A sensação de relaxamento é inevitável..
     
  • Estômago
    A mucosa do estômago fica irritada pelas moléculas do etanol. Daí a sensação de enjoo e mal-estar. Para aliviar o desconforto, muitas pessoas vomitam. 
     
  • Fígado 
    O excesso de álcool altera a produção de enzimas no fígado, responsável pela metabolização do etanol, e o órgão passa a produzir mais enzimas. Sobrecarregado,  o fígado desenvolve uma inflamação crônica e hepatite alcoólica, podendo evoluir para cirrose.
     
  • Pâncreas
    O excesso de bebida alcoólica pode prejudicar o pâncreas, responsável pela fabricação de insulina e de enzimas digestivas. Como consequência, surge uma inflamação no órgão, que pode evoluir para uma pancreatite (dor abdominal intensa e repentina). Outros sintomas da pancreatite são vômito, febre, falta de apetite e náusea. 
     
  • Rins
    A filtração final do etanol é feita pelos rins. Quando há consumo exagerado de bebida alcóolica, o etanol altera a capacidade dos rins de filtrar as substâncias do corpo. Como consequência, há alteração dos hormônios que controlam a pressão arterial.
     
  • Pulmões 
    Quando o álcool passa pelos pulmões, a respiração fica lenta, e a pessoa sente dificuldades para respirar.