Redes sociais prejudicam a real socialização

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O ser humano é um ser sociável, que gosta de interagir, de conhecer o outro, de trocar experiências. Com o passar dos anos, o homem cria novos laços afetivos, seja através do trabalho, das amizades, dos lugares que frequenta. Assim sendo, se o homem vive em sociedade ele não deveria viver como um eremita, ou seja, se isolar do mundo, não é? Pois há pessoas que optam pelo isolamento social pelos mais diversos motivos.

Mas, será que a falta de socialização pode ter alguma consequência? Sim. Segundo estudo da Universidade de Buffalo e da Escola de Medicina Monte Sinai (ambas dos Estados Unidos), publicado na revista Nature Neuroscience, o isolamento social por um período prolongado afeta o nosso cérebro, já que os níveis de produção de mielina diminuem. Mas, o que é mielina?  Ela é uma camada gordurosa do cérebro que envolve o neurônio e que tem a função de acelerar os impulsos nervosos.

Para chegar a essa conclusão sobre o efeito do isolamento social no cérebro, os cientistas isolaram ratos adultos (considerados animais altamente sociáveis) por oito semanas. O objetivo era fazer com que eles fossem induzidos a um estado semelhante ao da depressão.  Depois de oito semanas, os ratos que foram isolados entraram em contato com um rato que nunca haviam visto antes. Ao invés de os ratos interagirem com o outro animal, eles evitaram o rato desconhecido. Assim, os cientistas concluíram através de exames, que os tecidos nervosos do cérebro dos ratos isolados passaram a produzir menos mielina no córtex pré-frontal – região responsável pelo comportamento emotivo, social e cognitivo.

Depois de algum tempo sem se socializar, os ratos passaram a conviver com outros roedores, e a produção de mielina voltou aos níveis normais. Ou seja, os efeitos negativos do isolamento social desapareceram.

O resultado da pesquisa deixou os cientistas animados, apesar de ainda não se poder dizer com certeza que o mesmo ocorre no cérebro humano, por isso novas pesquisas serão necessárias. No entanto, os pesquisadores acreditam que, no futuro, poderá se encontrar uma forma de ajudar no tratamento de doenças graves relacionadas à falta de mielina no cérebro. Uma delas é a esclerose múltipla, que tem como característica fazer com que a pessoa se isole do convívio social.

Isolamento nas redes sociais

É inegável que a internet e as redes sociais ajudaram a aumentar o nosso conhecimento e a nos aproximar das pessoas, principalmente quando elas estão longe, no entanto, as redes sociais também têm provocado o isolamento de um grande número de pessoas que passam horas em frente a uma tela de computador e que param de conviver com familiares e amigos, para somente viverem uma vida no mundo virtual. É capaz, por exemplo, de a pessoa ter mais amigos no Facebook e no Twitter do que amigos no mundo real, e que estejam dispostos para sair, tomar um chopp, ir ao cinema ou à praia.

 

Esse isolamento social começa a preocupar os médicos, já que é prejudicial à saúde, pois essas pessoas tendem a desenvolver mais intensamente um quadro de solidão e individualismo, dois traços marcantes da sociedade atual. Crianças, jovens e adolescentes são os mais dependentes da web, por isso os que mais preocupam, pois passam horas em frente ao computador.

Segundo os médicos, há casos tão graves de dependência da internet e compulsão por jogos eletrônicos que eles podem ser comparados à dependência de drogas e álcool. Mas, por que uma pessoa corre o risco de ficar dependente da internet? Os médicos explicam que essa compulsão ocorre porque são ativadas áreas do cérebro ligadas à sensação de prazer.

Algumas pessoas têm consciência de que o isolamento está afetando o seu relacionamento com familiares e amigos, mas elas não conseguem deixar a internet de lado, e o que antes era uma diversão passa a ser uma obsessão. Muitas pessoas se tornam tão dependentes da internet que passam a dormir pouco e se alimentam mal. Por isso, quando a dependência passa a ser vício, a única solução é procurar ajuda médica, ou seja, um psiquiatra.

Além de crianças, jovens e adolescentes, quem trabalha em casa corre o risco de se isolar cada vez mais, de ser mais solitário, e de interagir menos com amigos e familiares. Isso ocorre porque a pessoa não tem aquele contato diário com os colegas de trabalho, por isso começa a se isolar, sente preguiça para sair de casa e começa a desenvolver um quadro de solidão.  

É possível, porém, ter uma relação saudável com a internet. Basta ter limites, ou seja, hora para trabalhar, para jogar, interagir com os amigos nas redes sociais e hora para se divertir, se encontrar com os amigos e sair para a balada, ir à praia, ao cinema, ou simplesmente, ficar em casa e ler um bom livro.

Sintomas relacionados à compulsão pela internet

Às vezes é muito difícil identificar se uma criança, jovem ou adolescente está viciado em internet, por isso é importante prestar atenção em alguns sintomas que podem indicar se algo está errado.

  • Quando ocorre dependência da internet, o convívio com a família e os amigos é prejudicado. O adolescente deixa de fazer atividades que antes eram comuns no seu dia a dia, como praticar esportes, ir ao cinema ou sair com os amigos, para ficar jogando ou conectado à Internet.
  • O adolescente se torna agressivo, irritado porque foi impedido de acessar a internet para jogar ou para interagir com seus amigos através das redes sociais. Ele também pode apresentar um quadro maior de ansiedade.
  • É preciso observar se o adolescente está dormindo a mesma quantidade de horas ou passa as noites em claro, sem dormir porque está conectado à internet durante a madrugada. Sem dormir, ele passa a apresentar sinais de cansaço, mas mesmo assim continua a dormir poucas horas durante a noite.
  • O rendimento escolar pode ser prejudicado, e o adolescente começa a tirar notas baixas ou a não desempenhar corretamente suas tarefas escolares.