Facebook – curtir ou não curtir?

Era 14 de setembro de 2012, segundo andar de um prédio comercial onde está instalado o escritório da equipe responsável por monitorar o crescimento do Facebook. Geralmente a rotina de trabalho é tranquila, como em qualquer escritório normal. Mas nesse dia em particular o andar estava lotado e uma contagem regressiva aparecia em um telão.

 

O próprio Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, estava presente quando o contador virou em  999,980,000. Era o número de usuários do Facebook no mundo.  999,990,000….o contador girava rápido, cerca de mil novas inscrições a cada minuto. Era apenas uma questão de tempo, não havia mais como parar o contador, que deu uma breve pausa antes de revelar o fatídico número: 1,000,000,000.

Sim, de cada 7 pessoas na face da Terra 1 tem uma conta na rede social mais popular do planeta. Agora são mais de 1 bilhão de seres humanos conectados pelo Facebook e isso é assombroso, mesmo levando em conta potenciais contas falsas. Mais da metade das pessoas com acesso à internet estão no Facebook e a outra metade, querendo ou não interage com o serviço através dos "curtir", "compartilhar" e páginas de negócios. Atualmente o Facebook é um monstro feito de indivíduos que compartilham suas vidas, fotos e preferências. Mas amanhã, quem sabe….?

O início do Facebook

A história já foi contada em livro e filme, por isso vamos fazer um resumo rápido da criação do Facebook. Se você ainda não conhece a história essa é a sua chance de ficar por dentro de como o Facebook começou.

O Facebook foi fundado por Mark Zuckerberg em fevereiro de 2004, inicialmente como uma rede exclusiva para estudantes de Harvard. Foi um sucesso enorme: em 2 semanas, metade das escolas na área de Boston começou a exigir uma rede de Facebook. Zuckerberg imediatamente recrutou seus amigos Dustin Moskovitz, Chris Hughes, e Eduardo Saverin para ajudar a construir o Facebook e dentro de quatro meses o Facebook adicionou mais 30 redes de faculdade.

A idéia original para o termo Facebook veio da escola de Zuckerberg (Phillips Exeter Academy). O Face Book Exeter passava por todos os alunos para que eles conhecessem seus colegas de classe do próximo ano. Era um livro físico até Zuckerberg importá-lo para a internet. Com o sucesso, Zuckerberg, Moskowitz e Hughes se mudaram para Palo Alto durante o verão e sublocaram uma casa. Algumas semanas mais tarde, Zuckerberg se encontrou por acaso com o co-fundador do Napster, Sean Parker. Parker logo se mudou para o apartamento de Zuckerberg e eles começaram a trabalhar juntos. Parker apresentou o primeiro investidor, Peter Thiel, co-fundador do PayPal e sócio-gerente do The Founders Fund. Thiel investiu 500 mil dólares no Facebook.

Com o investimento o número de usuários do Facebook alcançou a casa dos milhões. Foi quando o Friendster tentou adquirir a empresa por US$ 10 milhões em meados de 2004. O Facebook recusou a oferta e, posteriormente, recebeu US $ 12,7 milhões em financiamento da Accel Partners, conseguindo uma valorização de cerca de US$ 100 milhões. O Facebook continuou seu crescimento acelerado, abrindo as portas para estudantes do ensino médio em setembro de 2005 e adicionanado um recurso de compartilhamento de fotos imensamente popular no mês seguinte. Na primavera seguinte, o Facebook recebeu mais um aporte financeiro de US$ 25 milhões, dessa vez da Greylock Partners e da Meritech Capital, bem como de seus investidores anteriores Accel Partners e Peter Thiel. Nessa nova injeção de capital o Facebook havia sida avaliado em US$ 525 milhões. Finalmente, em setembro de 2006, o Facebook foi aberto a qualquer pessoa com um endereço de e-mail.

No verão de 2006, o Yahoo tentou adquirir a empresa por US$ 1 bilhão de dólares. Relatórios indicam que Zuckerberg chegou a fazer um acordo verbal para vender o Facebook para o Yahoo. Poucos dias depois, quando o preço das ações do Yahoo sofreu uma forte queda, a oferta foi reduzida para US$ 800 milhões e Zuckerberg se afastou do negócio. Mais tarde o Yahoo ofereceu um bilião dólares novamente, mas desta vez Zuckerberg recusou na hora e ganhou fama instantânea como o "garoto" que recusou um bilhão. Esta não foi a primeira vez que Zuckerberg recusou uma oferta de compra; a Viacom já havia tentado sem sucesso adquirir a empresa por US$ 750 milhões em março de 2006.

Em outubro de 2007 a Microsoft investiu 240 milhões dólar no Facebook para ter cerca de 1,6 por cento da empresa. Isso significou uma valorização de mais de US$ 15 bilhões, tornando oFacebook a quinta empresa de Internet mais valiosa dos EUA, mesmo tendo uma receita anual de apenas US$ 150 milhões. Muitos explicaram a decisão da Microsoft como sendo unicamente impulsionada pelo desejo de passar na frente do Google, que também tinha feito uma oferta.

Como sabemos, o Facebook acabou se tornando a rede social mais utilizada no mundo. Em janeiro de 2011 mais US$ 1,5 bilhões forma investidos, com a empresa sendo avaliada em 50 bilhões de dólares. Ações começaram a ser vendidas ao público um ano depois, por US$42,05.

A nota negativa vem de brigas pessoais entre amigos e colegas de escola desde a fundação do Facebook. Alguns casos foram parar na justiça, mas todos já estão resolvidos.

O Facebook vai acabar?

Ter 1 bilhão de pessoas utilizando seus serviços é garantia de rios de dinheiro, certo? Bem, sim e não. Certamente o fundador do Facebook Mark Zuckerberg está nadando nas verdinhas, mas o Facebook atravessa uma fase de turbulência. Não que vá falir de uma hora para outra, mas seu crescimento avassalador que atropelou e engoliu outras redes sociais como o Orkut deu uma freada.

No momento de maior crescimento as ações do Facebook chegaram a valer US$ 42,05. Atualmente (outubro de 2012), mesmo com essa quantidade monstruosa de usuários ativos as ações do Facebook não conseguem ultrapassar os US$ 21. A empresa tem problemas de faturamento e os fatores são vários. Os anúncios não estão trazendo muito retorno financeiro e não têm a mesma eficácia em dispositivos móveis. Os jogos sociais deram uma desacelerada (veja adiante em a Queda da Zynga) e matérias pagas nas news feed podem ser um tiro pela culatra futuramente. O News Feed era para ser um canal de notícias como os jornais ao invés de uma lista de posts que seus amigos estão fazendo.

Zuckerberg e seus funcionários nunca pararam de trabalhar na evolução do Facebook mas agora eles têm um grande desafio pela frente: manter o Facebook em alta. A companhia de Zuckerberg gastou 388 milhões de dólares com pesquisa e desenvolvimento em 2011. Mais que o dobro em relação a 2010 (87 milhões) e quase cinco vezes mais na comparação com 2009 (87 milhões). 

Por tudo isso o foco do Facebook a partir de agora será atacar quatro pilares:

1. expandir sua base de usuários globais
2. aumentar a interação com o usuário através de novas ferramentas sociais
3. melhorar a experiência móvel em tablets e celulares
4. gerar mais valor agregado para anunciantes e usuários

 A Queda da Zynga

Fundada em 2007 por Mark Pincus (o nome veio de seu falecido cão), a companhia de games casuais Zynga encontrou uma mina de outro em 2008. O Facebook se tornou um portal para quem não era um gamer hardcore, ou mesmo para quem nunca tinha jogado antes. O crescimento viral ainda não era controlado e as taxas de anúncios eram baixas, assim comprar tráfego era barato. A maioria dos jogos era jogada no próprio desktop. Mas hoje tudo mudou e a Zynga não conseguiu se recuperar do baque. Confira as mudanças cruciais que fizeram o poder e as ações da Zynga despencarem.

Nos anos em que a Zynga cresceu, os games eram vistos como algo para jogadores hardcore. Mas nem sempre foi assim. Nos primórdios, os jogos de videogame eram simples, fáceis de aprender, casuais. Com o passar do tempo os consoles foram ficando mais poderosos, os jogos mais complexos e atualmente é preciso manusear controles com vários botões. Quem não acompanhou de perto essa evolução certamente tem dificuldades para jogar os games atuais.

Mas o Facebook colocou um console virtual na frente de milhões de pessoas. Mark Pincus foi um dos primeiros a perceber isso e começou a fazer jogos para o mercado de massa. Click click click, tarefas simples, algo para agradar a todos. Claro que muitas outras empresas seguiram a ideia, o que sobrecarregou o mercado. Durantes esses 5 anos os jogadores ficaram mais espertos também. Os jogos mais simples continuam sendo os mais populares, mas muitos jogadores que tiveram o gostinho começaram a desejar jogos um pouco mais complexos. De repente só clicar no FarmVille já não era mais o suficiente.

farmville

Outro problema foi o aumento do custo dos cliques em anúncios do Facebook. O que em 2008 era muito barato – tanto que a Zynga comprou 40 milhões em anúcios e representava 10% do faturamento do Facebook – começou a se tornar caro. Hoje o preço é o triplo se comparado com 2008 (de 0,27 pulou para 0,88 cents). O sinificado disso é que a Zynga não pode mais "comprar" novos usuários como antes.

O Facebook também se cansou do spam através de jogos. Os jogos da Zynga representaam uma fonte de spam interminável, exigindo que os jogadores tragam amigos para os jogos para poder progredir. Avisos não paravam de pipocar na tela, pedindo para ajudar nas fazendas de outros amigos. Ou o Facebook acabava com isso ou isso poderia acabar com a experiência do Facebook. Muita gente participa desses joguinhos sociais, mas muita gente não participa está mais interessada em updates e fotos de amigos. O que aliás é o foco principal do Facebook.

Conclusão? O Facebook fez ajustes e acabou com o spam excessivo nos jogos. Foi uma medida calculada, pois como vimos acima a queda dos jogos sociais influencia diretamente no faturamento do Facebook. Mas ele não podia arriscar uma contaminação maior nos seus serviços básicos.

Para completar o Facebook começou a cobrar 30% em cima das vendas feitas em anúncios nos jogos. A Zynga conseguiu negociar uma taxa mais baixa, mas mesmo assim deixou de lucrar mais. o problema final afetou tanto o Facebook quanto a Zynga: os usuários começaram a utilizar celulares para acessar a rede social. O Facebook tinha virado mobile sem que ambas as empresas estivessem preparadas para isso. Tanto as ações da Zynga quanto do Facebook caíram muito, sendo que a Zynga talvez não se recupere jamais. O caminho de volta pode exigir jogos mais avançados e construídos especificamente para rentabilizarem no celular, sendo inerentemente virais.

Curiosidades do Facebook

theFacebook

Mais de 250 milhões de fotos são compartilhadas diariamente.
Em 2011 o Facebook usou um espaço de 100 pentabytes (1024 terabytes).
Quase 60% dos usuários restringem o acesso a seus perfis.
As mulheres compartilham mais conteúdo do que os homens.
Em 2011 o Facebook gastou mais de 50 milhões de dólares em patentes.
Usuários de redes sociais são mais ativos quando o assunto é política.
Zuckerberg possui 28% do Facebook, quase 30 bilhões de dólares.
Seu salário em 2011 era de 500 mil dólares e bônus anual de 1,5 milhões.
Em 2012 ele se espelhou em Steve Jobs e reduziu seu salário para 1 dólar.
Usuários de Facebook acreditam mais em outras pessoas.
80% dos pedidos de amizade são aceitos.
Em média 200 mil pessoas se cadastram diariamente no Facebook.
O logotipo original do Facebook era o rosto de Al Pacino.
Em média cada usuário está conectado a 80 páginas, grupos e eventos.
Os usuários juntos gastam mais de 500 bilhões de minutos por mês no Face.