Como usar a pílula do dia seguinte

Muita lenda e desinformação corre por aí quando o assunto é a pílula do dia seguinte. Vamos esmiuçar esse assunto e entregar para você toda a verdade sobre a pílula do dia seguinte.

Como a mulher fica grávida – um guia simples

 

O sistema reprodutor feminino é muito complexo e muitos hormônios estão envolvidos no ciclo menstrual, mas vamos tentar explicar de maneira simples como a mulher engravida.

Logo após a mulher menstruar, uma glândula produz um hormônio chamado de folículo-estimulante (FSH). Ele avisa que é o momento certo para os ovários prepararem a ovulação. Os ovários então produzem um folículo que produz estrogêneo, revestindo o útero para que ele aceite o óvulo fertilizado. Antes da ovulação o ovário também produz progesterona. Quando o nível de estrogênio está ideal, as mesmas glândulas lá do começo liberam LH (Hormônio Luteinizante). É o sinal para o folículo depositar o óvulo na trompa de falópio. Agora o espermatozóide entra em ação. Ele tem 24 horas para fecundar esse óvulo, engravidando a mulher. Caso o processo falhe, mais um ciclo menstrual ocorre repetindo tudo.

Agora, não pense que o perigo de engravidar é só no período da ovulação. Os espermatozóides têm vida média de 3 dias, ou seja, se mantiver relações 3 dias antes da ovulação há chances de engravidar por causa dos espermatozóides que permaneceram vivos.

A camisinha estourou, e agora?

 

Atualmente existem diversos métodos contraceptivos e talvez a camisinha seja o mais utilizado. Mas ela não é infalível. Partindo de uma proteção que gira em torno de 90 a 95% para evitar gravidez, a camisinha pode muito bem estourar e aí o bicho pega. A pílula do dia seguinte foi aprovada no Brasil em 1999 e até hoje é vendida.

São dois tipos de pílula do dia seguinte:

1 – uma com dose única
2- uma outra com dois comprimidos (um deve ser ingerido o quanto antes após a relação sexual e o outro 12 horas depois).

IMPORTANTE: não importa que tipo você adquira, ambos devem ser utilizados no máximo 72 horas após a relação sexual. Outra coisa, quanto mais tempo demorar para tomar a pílula do dia seguinte, menor será a chance de fazer efeito.

A pílula do dia seguinte não funciona como um abortivo. Ela age antes que a gravidez ocorra, ou seja, se a mulher já estiver grávida não fará nenhum efeito nem trará efeitos colaterais. A pílula tenta impedir a fecundação, dificultando que os espermatozóides alcancem o óvulo. Embora a pílula possa ser adquirida sem receitas em algumas farmácias, o ideal sempre é procurar um ginecologista antes de tomar. Ele indicará o medicamento e prescreverá a receita, tirando dúvidas e dando mais informações. A pílula também não substitui nenhum método contraceptivo.

Nem pense em largar a camisinha, pílulas anti-concepcionais ou outros métodos. Pense na pílula do dia seguinte como uma última chance de não engravidar. Além disso a pílula não protege contra doenças sexualmente transmissíveis. Só a camisinha protege. A pílula do dia seguinte não age como pílulas anticoncepcionais, na verdade ela é muito menos eficaz (ela tem cerca de 85% de eficácia). Então não adianta parar de usar outros métodos contraceptivos corretamente e tomar a pílula só quando tiver relações. Você deve utilizar outros métodos contraceptivos se não quiser engravidar, como camisinha e anticoncepcionais, entre outros. A pílula do dia seguinte não dá nenhuma proteção extendida, ela só é a última chance de não engravidar caso algum método tenha falhado e só funciona para essa vez específica.

Outro fator importante é que as pílulas contêm 20% a mais de hormônios do que uma pílula anticoncepcional normal. São mais chances de efeitos colaterais, como você pode ler abaixo.

Efeitos colaterais da pílula do dia seguinte

Alterações no tempo de ovulação e no ciclo menstrual são os mais comuns. Depois de tomar a pílula fica muito complicado calcular com precisão seu período fértil, assim como sua menstruação. Outros efeitos podem ser sensibilidade na região dos seios, dores de cabeça, náuseas acompanhadas de vômitos ou diarréia. Caso o vômito e diarréia ocorram nas primeiras horas após ingerir a pílula, a recomendação é tomá-la novamente. Você pode pedir para o médico receitar um medicamento para enjôo e tomá-lo ao mesmo tempo que a pílula.

Outro problema pode acontecer a longo prazo. Se a curto prazo a pílula já bagunça seu ciclo menstrual e período fértil, imagine se você tomar seguidas vezes. Os danos hormonais podem ser grandes. Caso ocorra também uma gestação ectópica (fora da cavidade uterina), a mulher corre o risco de perder uma trompa, dificultando uma futura gestação. 

Contra-indicação: Pessoas hipertensas, portadoras de doenças sanguíneas (hematológicas) e vasculares não devem tomar a pílula do dia seguinte. Quem sofre de obesidade mórbida também não deve ingerir o medicamento. Como a pílula do dia seguinte tem muitos hormônios pode causar pequenas coágulos, obstruindo os vasos sanguíneos.