O que é e como lidar com o Autismo

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Você provavelmente já ouviu falar em autismo, mas você sabe o que é autismo? Ele é definido como um transtorno global do desenvolvimento, que afeta crianças e adultos de todas as etnias e classes sociais. A incidência é maior em meninos do que em meninas.

 

Uma das explicações para que isso ocorra é que, segundo estudos, o desenvolvimento de um cérebro "extremamente masculino" teria relação com a exposição do feto a altos níveis de testosterona durante a gravidez. No entanto, ainda não é possível afirmar quais são realmente as causas do autismo, podendo haver múltiplas causas incluindo fatores genéticos e biológicos.

O diagnóstico de autismo infantil já é possível antes dos 3 anos de idade, porém ele é mais difícil de ser identificado precocemente, logo nos primeiro meses de vida. Assim, os sinais são mais evidentes quando a criança está próximo de completar 3 anos.

Para que o diagnóstico seja feito de forma correta, o mais indicado é procurar por um profissional experiente. Assim, se os pais suspeitarem de que há algo de diferente com o seu filho, a recomendação é levá-lo ao pediatra. Se o profissional não identificar o distúrbio, os autistas podem ser encaminhados a um neuropediatra ou psiquiatra infantil.

O autismo já foi tema de pelo menos 16 filmes no cinema. Talvez o mais famoso seja “Rain Man”, de 1988, que conta a história do jovem yuppie Charlie (Tom Cruise), que após saber da morte do seu pai não se conforma com a herança deixada por ele, e vai em busca de quem herdará a fortuna de três milhões de dólares.  Charlie fica surpreso ao saber que a fortuna ficará com seu irmão Raymond (Dustin Hoffman), que é autista, e cuja existência ele desconhecia. Raymond vive num mundo a parte, mas é capaz de calcular problemas matemáticos complicados com grande velocidade e precisão. 

Sintomas

 

Mas, como identificar os sintomas do autismo? Além da fala e linguagem ausente ou tardia, outros sintomas característicos de autistas incluem dificuldades de interação social, incidência de movimentos restritivos e repetitivos (como balançar o corpo insistentemente) e inabilidade para lidar com jogos simbólicos.

A manifestação do autismo pode ocorrer em maior ou menor grau dependendo, é claro, do tipo de autismo. Nos casos mais leves, denominados de síndrome de Asperger, as crianças não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem há comprometimento cognitivo grave. Já nos casos mais graves de autismo, o paciente não mantém qualquer tipo de contato interpessoal, o comportamento é agressivo e ele apresenta retardo mental.

Os autistas podem ser divididos em 3 grupos:

  • Oautista pode apresentar incapacidade de aprender a falar. Também apresenta deficiência mental.
  • Ele pode ser voltado para si mesmo, ou seja, ele não consegue estabelecer contato visual com as pessoas nem com o ambiente. O autista fala, mas não usa a fala para se comunicar. Tem problemas de compreensão.
  • O autista tem domínio da linguagem. Ele apresenta inteligência normal ou até superior. Pode levar uma vida próxima do normal, já que, apesar das limitações, consegue interagir socialmente.

Tratamento

Mesmo sendo considerado um distúrbio crônico, não há um tratamento do autismo que seja comum a todos os casos. Por isso, é preciso analisar cada caso, para assim oferecer a melhor assistência segundo as necessidades e deficiências do autista. O acompanhamento, portanto, deve ser individual. Alguns autistas podem se beneficiar com o uso de medicamentos.

Assim que o diagnóstico é feito, o tratamento deve ser logo iniciado. Por isso, uma  equipe multidisciplinar de especialistas pode ajudar a criança a se desenvolver. O uso de terapias comportamentais pode ajudar no desenvolvimento da criança. Para aprender as tarefas diárias, ela pode precisar de terapia ocupacional. Para o desenvolvimento da fala, uma fonoaudióloga pode ser contratada e para melhorar os movimentos, os pais devem optar pela fisioterapia. E para ajudar na estimulação dos sentidos o ideal é que a criança faça terapia de integração sensorial. 

Dicas sobre como lidar com o autista

Ninguém duvida que não é fácil cuidar de uma criança autista. Por isso, confira algumas dicas que podem ajudar a família a lidar com o autista.

  • O primeiro passo é procurar por orientação especializada, principalmente para saber lidar com a criança autista.
  • Devido a dificuldade de comunicação, o ideal é que a família tente estabelecer uma forma de contato com o autista, até mesmo para interpretar o que ele está querendo expressar.
  • Como a comunicação é difícil por parte do autista, ele tenta encontrar uma forma para se comunicar, portanto, é comum gritar e espernear.
  • O autista não lida muito bem com mudanças. Mesmo as menores mudanças irão incomodá-lo. Por isso, não troque as coisas de lugar, por exemplo, e tente manter o mundo do autista organizado.
  • A integração social é um problema para o autista. Apesar de haver especialistas que defendem a inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares, às vezes o melhor é procurar por instituições especializadas, que ofereçam atendimento individualizado. Afinal, é preciso respeitar as limitações do autista.
  • Os autistas apresentam variações de inteligência, ou seja, alguns podem ter a inteligência mais ou menos desenvolvida. Há casos em que o autista apresenta características de genialidade.
  • Assim como qualquer outra criança, o autista gosta de carinho. No entanto, ele pode apresentar dificuldade com relação ao toque, à sensação tátil. Para que o autista não se sinta incomodado com um abraço, por exemplo, o ideal é que a pessoa diga a ele que vai abraçá-lo. 

Lei assegura proteção a direitos de autistas

No Brasil, a presidente Dilma Rousseff sancionou, em dezembro de 2012, uma lei aprovada pelo Congresso que assegura novos direitos aos autistas. A lei 12.764/12, que instituiu a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista", inclui o direito a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer; e a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração.

A lei engloba as áreas de educação, saúde, moradia, trabalho, nutrição, previdência e assistência social. Na área da educação, por exemplo, o texto prevê punição – multa de 3 a 20 salários mínimos – para o gestor escolar ou autoridade competente que recusar a matrícula de alunos com autismo. Se houver reincidência, eles podem até perder o cargo.

Na área da saúde ficou estabelecido que a pessoa autista não pode ser impedida de participar de planos de saúde em razão de sua condição. Ela também terá direito ao atendimento multiprofissional, formada por uma equipe de médicos, como psiquiatra, neurologista e terapeuta de fala, aos medicamentos, à nutrição adequada e à terapia nutricional.

É facultado ao autista o acesso à moradia, inclusive à residência protegida, ao mercado de trabalho, à previdência social e à assistência social. 

Possível cura para o autismo

Ainda não é possível afirmar que já foi encontrada uma cura para o autismo. No entanto, em novembro de 2010, foi divulgado que um grupo de cientistas nos EUA, liderado pelo pesquisador brasileiro Alysoon Renato Muotri, na Universidade da Califórnia, conseguiu "curar" um neurônio "autista" em laboratório. O estudo foi publicado na revista científica Cell.

Mais recentemente, em janeiro de 2013, foi publicado um estudo no "Journal of Child Psychology and Psychiatry" afirmando que é possível, sim, reverter completamente os sintomas do transtorno neurológico que afeta a comunicação, a sociabilidade e o comportamento. No entanto, a melhora no quadro é restrita a um pequeno grupo de doentes, que corresponde a menos de 10% dos autistas. A pesquisa foi feita com 34 pessoas diagnosticadas com autismo antes dos 5 anos. Os casos eram de moderados a graves. Depois de intensivos testes, os sintomas foram revertidos.

Apesar dessa vitória inicial, os cientistas admitem que ainda falta descobrir porque alguns pacientes conseguem reverter o quadro, já que o resultado positivo está restrito a um pequeno grupo de autistas.