Ansiedade, TOC e síndrome do pânico

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Muitas pessoas têm diversos hábitos cotidianos, que podem evoluir para manias e que podem chegar ao TOCtranstorno obsessivo compulsivo. Mas, quais são as diferenças? O que difere a mania do TOC?

 

Tanto a mania quanto o transtorno obsessivo compulsivo têm como característica a repetição de comportamentos. Esses comportamentos repetitivos são normais, no entanto, enquanto a mania não gera nenhum transtorno nem qualquer efeito na vida cotidiana (normalmente é motivada por superstição ou crenças), o TOC é considerado um distúrbio psiquiátrico, pois gera um grau de muita ansiedade nas pessoas.

Mas, o que a ansiedade tem a ver com o TOC? Ter ansiedade é considerado normal, já que ela tem como característica nos alertar para situações novas ou de perigo. No entanto, quando a ansiedade é exagerada, ela pode acarretar alguns problemas e provocar o desenvolvimento de sintomas como sudorese, taquicardia, nervosismo, tensão e até diarreia. Aí, o que era ansiedade se transforma em distúrbio, que provoca não somente alterações de comportamento, como o surgimento de tiques, mas também causa preocupações excessivas e sensação de medo de que algo desagradável, ruim ou terrível pode acontecer. 

O grau elevado de ansiedade pode fazer com que a pessoa tenha crises de obsessões (pensamentos, ideias e imagens – mesmo que absurdas – invadem a mente da pessoa insistentemente, sem que ela queira). A partir daí surge o comportamento compulsivo, ou seja, a pessoa passa a realizar algo compulsivamente (como levantar-se várias vezes da cama à noite para verificar se a porta está trancada) para aliviar momentaneamente a ansiedade, as ideias e os pensamentos obsessivos. Ou seja, a pessoa executa a tarefa repetidamente, como se fosse um ritual, toda vez que essa sensação de ansiedade e obsessão se estabelece.

Com o passar do tempo, os pensamentos obsessivos podem se tornar mais graves e aí a rotina diária da pessoa pode ficar comprometida, assim como a sua vida social. Vale lembrar que a vida da família também é afetada.

Além de a ansiedade ser um fator desencadeante do TOC, ela pode levar a pessoa a um estado de pânico, chamado de síndrome do pânico ou transtorno do pânico. Ou seja, de uma hora para outra a pessoa tem uma forte crise de medo e desespero. Ela se sente ameaçada por algo que desconhece, sente que está em perigo, seu coração dispara e a pessoa sente como se fosse morrer naquele momento. Ela sente falta de ar e a sudorese aumenta absurdamente.  

Por causa dos sintomas, você pode pensar que está com síndrome do pânico, no entanto, na realidade, pode estar sofrendo de transtorno obsessivo compulsivo. A boa notícia é que há cura para a síndrome do pânico, no entanto o tratamento terá efeito mais rapidamente se a pessoa não apresentar outros distúrbios juntamente à síndrome do pânico.

Mas, voltemos ao assunto inicial: transtorno obsessivo compulsivo. Para saber mais sobre transtorno obsessivo compulsivo, confira a seguir as causas, os sintomas e o tratamento para TOC.

Causas do TOC

Mas, quais são as causas do TOC? Ainda não foram esclarecidas as causas do TOC, ou seja, não há um momento específico para ela aparecer. No entanto, segundo especialistas, a doença pode surgir devido a fatores psicológicos, genéticos e culturais. Estudos indicam que o distúrbio de ansiedade aparece mais em pessoas que já tiveram casos na família. Fatores ambientais também podem desencadear a doença. Ou seja, se a criança tem uma mãe com TOC, o filho tende a desenvolver a doença, pois ele aprende e copia o comportamento de sua mãe.

A partir dos três, quatro anos de idade a criança já pode começar a apresentar os sintomas do transtorno obsessivo compulsivo. Segundo os especialistas, durante a infância, o distúrbio é mais frequente nos meninos. Já no final da adolescência, a frequência com que a doença aparece é mais equilibrada e o número de casos é igual nos dois sexos. No entanto, apesar de o TOC poder aparecer ainda na infância, a maior parte dos casos é diagnosticada em adultos, já que, em geral, somente nove anos depois que os primeiros sintomas se manifestaram é que o paciente recebe o diagnóstico correto.

Sintomas

O que leva uma pessoa a desenvolver os sintomas do TOC? Se é difícil identificar o que é mania ou transtorno obsessivo compulsivo, como saber se a pessoa está tendo o distúrbio psíquico? Bom, entre os principais sintomas do TOC está a presença constante de pensamentos obsessivos que fazem com que a pessoa siga um ritual compulsivo. Esse tipo de comportamento tem como objetivo abrandar o estado de ansiedade em que a pessoa se encontra, ou seja, para se sentir melhor ela repete insistentemente alguma atividade que poderia ser feita somente uma vez. Assim, pode-se dizer que o ato repetitivo alivia momentaneamente a ansiedade.

Entre os sintomas mais comuns destaque para a preocupação excessiva com a higiene e limpeza, lavar as mãos compulsivamente, fazer checagens, conferências e verificações várias vezes (gás, chuveiro, fechaduras), repetir frases ou números, organizar e alinhar objetos, fazer contagens, repetições (sair, entrar), colocar algo em sequência (ordenar roupas por cor) e colecionar coisas sem importância. Também é possível que a pessoa tenha dificuldade para pronunciar certas palavras e até receio de tomar determinadas decisões por acreditar que estará fazendo a escolha errada.

Tratamento  

Será que existe tratamento para o TOC? Muitas pessoas sofrem com o TOC, mas não procuram ajuda por imaginar que não há tratamento. Isso é um engano. O transtorno obsessivo compulsivo tem tratamento. Ele pode ser feito através de medicamentos ou psicoterapia.

Os medicamentos utilizam antidepressivos. Já a psicoterapia ajuda a pessoa a superar as suas obsessões e compulsões, expondo-a a situações que geram ansiedade. No início do tratamento, a pessoa será submetida a situações mais brandas que fazem com que ela sinta ansiedade. Segundo estudos, a psicoterapia é eficiente no tratamento do TOC, porém os resultados são melhores se a terapia estiver associada a outro tipo de tratamento.

Os efeitos do tratamento começam a aparecer entre um e três meses, no entanto, não se pode precisar por quanto tempo será necessário o tratamento de TOC, pois isso irá depender da gravidade do caso. Alguns pacientes, por exemplo, ficarão em tratamento por toda a vida.

Recomendações  

Como não é fácil identificar os sintomas do transtorno obsessivo compulsivo, confira a seguir algumas recomendações para você ficar atento e procurar por ajuda se for necessário.

  • A primeira recomendação é observar o seu próprio comportamento. Se alguma ação se tornar tão rotineira que comece a interferir no seu dia a dia, é hora de procurar ajuda. Quanto mais rápido começar o tratamento do transtorno obsessivo compulsivo melhor, já que o TOC acaba interferindo na qualidade de vida da pessoa. Além do mais, quanto mais se adia o tratamento, mais grave fica a doença.
  • As crianças também podem desenvolver TOC, pois os sintomas podem aparecer na infância. Por isso, é importante que os pais observem o comportamento da criança. Se ela obedece a um ritual, mas este se torna cada vez mais frequente, então seu filho pode estar desenvolvendo um quadro de transtorno obsessivo compulsivo. Afinal, o limite entre normalidade e TOC é muito tênue.
  • Para ajudar os filhos, os pais não devem colaborar com a perpetuação das manias e rituais deles. Pelo contrário, eles devem ajudar os filhos a enfrentar a obsessão e a compulsão.
  • Se a pessoa não é capaz de reconhecer que está desenvolvendo TOC, então cabe à família prestar atenção no seu comportamento e ajudá-la a buscar tratamento o mais rapidamente possível.
  • Às vezes, a pessoa que tem TOC não reconhece que está com este distúrbio, por isso seus familiares e amigos podem ajudar. Uma das formas de reconhecer os sintomas do TOC é observar se a pessoa está gastando mais tempo do que deveria com os rituais. Note ainda se os rituais também estão interferindo nos relacionamentos sociais, seja amorosos ou profissionais.