A Química da Paixão – como funciona a atração

Comportamento6.245 Visualizações

Estar apaixonado é muito bom, principalmente quando o sentimento é correspondido. O casal vive nas nuvens, acha tudo lindo e maravilhoso e acredita que aquele sentimento será eterno. Mas, você sabe como funciona a atração entre duas pessoas? Sabe o que acontece quimicamente quando nos apaixonamos?

 



 

Quando você se interessa por alguém, o corpo começa a dar sinais evidentes de que você foi flechado pelo cupido. A pressão arterial aumenta, assim como os batimentos cardíacos, a respiração fica mais acelerada, as pupilas dilatam, o rosto fica avermelhado, ruborizado, o suor aumenta e podem surgir tremores pelo corpo. Normalmente, em vários momentos a pessoa perde a concentração, fica aérea, com o olhar perdido, bem longe… Há também quem sinta falta de apetite e perca o sono, pois não consegue parar de pensar na sua paixão.

Mas saiba que a paixão não é tão mágica como os românticos gostam de pregar. Na verdade, milhões de reações químicas estão ocorrendo o tempo todo para que duas pessoas se sintam nas nuvens. E é química pesada!

A química da paixão

Você sabe quem é o responsável por todas essas sensações quando se está apaixonado? Uma dessas substâncias é a dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e bem-estar.

Estudos mostram ainda que as áreas do cérebro ventral e córtex pré-frontal ficam mais ativadas em pessoas apaixonadas. E que é nessa área que se encontra a endorfina e a dopamina. Quando o casal apaixonado está junto, o cérebro libera mais endorfina e dopamina e eles sentem mais e mais prazer ao estarem juntos. 

 

Outras substâncias também estão associadas às sensações vividas pelos apaixonados. A feniletilamina, por exemplo, comanda a atração pelo outro e está ligada a avalanche de transformações que ocorrem no organismo dos apaixonados. Já a noradrenalina é a responsável pela memória para novos estímulos. Isso explica porque os apaixonados costumam se lembrar da roupa, da voz e de cada detalhe relacionado ao amado. Ela também age no organismo dando mais energia e provocando a perda de sono e de fome. 

Os laços afetivos são mais intensos quando se está apaixonado e isso é causado por hormônios como a oxitocina (nas mulheres) e a vasopressina (nos homens), os hormônios relacionados ao vínculo entre duas pessoas. Por outro lado, os níveis de serotonina (que regula o sono e o apetite) diminuem no auge da paixão. 

E o que dizer dos feromônios? Essas substâncias químicas inodoras são exaladas pelo corpo e são responsáveis pela atração física e sexual entre homens e mulheres. A atração física e sexual pode se desenvolver e se transformar em paixão. Então, é possível dizermos que paixão e química andam juntos. 

Nessa fase da paixão avassaladora e do turbilhão de sentimentos, por causa da química cerebral alterada e das alterações hormonais, é grande a chance de o casal não enxergar os defeitos da pessoa por quem está apaixonada. Além disso, a pessoa se torna dependente emocionalmente do outro, ocasionando uma ligação muito forte entre o casal. No entanto, essa paixão não pode se transformar em sentimento de posse, obsessão ou em amor patológico. Se isso acontecer, é hora de procurar por ajuda.

Paixão tem prazo de validade, mas pode virar algo mais

Dizem que a paixão é um vício, como o da cocaína, já que a pessoa se torna dependente daquele sentimento. Tanto isso é verdade que quando há uma briga ou uma separação, a pessoa sente uma espécie de síndrome de abstinência, ou seja, ela sente uma dor profunda, uma falta muito grande do outro, um desejo enorme de que o tempo passe o mais rapidamente possível para voltar a encontrar a pessoa amada.   

Estudos mostram que no início do relacionamento e no auge da paixão, as alterações químicas são tão intensas que o organismo não aguentaria tanta descarga de energia por muito tempo. Ou seja, o cérebro não consegue manter o turbilhão de emoções, de hormônios durante muito tempo, por isso a paixão tem prazo de validade. No entanto, ainda não há um consenso sobre quanto tempo dura uma paixão. Estudos mostram que ela dura entre 18 e 30 meses, ou no máximo, quatro anos. Já outros indicam que o estágio da paixão dura de 12 a 48 meses. A média, no entanto, para a paixão seria de dois anos ou menos.

Isso significa que depois desse tempo, tudo se torna mais calmo, ou seja, o sentimento de loucura, de êxtase, de dependência diminui e aquele estágio de paixão incontrolável passa naturalmente, pois o cérebro reduz a produção de substâncias químicas, e tudo fica mais calmo. Aí, a paixão se transforma em algo mais sereno.

Segundo a ciência, há três fases do amor, que são completamente independentes. No início, os hormônios sexuais estão aflorados, e o desejo, a luxúria e a satisfação sexual é o que importa. Ou seja, não há grandes envolvimentos emocionais, é apenas a natureza fazendo o seu papel para a perpetuação da espécie de uma forma prática e clara. Na segunda fase, é a vez da paixão, da atração física e sexual e do amor romântico. É quando as substâncias noradrenalina, endorfina, testosterona, estrógeno e progesterona estão mais afloradas. E, por fim, chega-se à fase do amor propriamente dito, ou seja, da construção gradual do vínculo entre duas pessoas que se amam.